Quem somos nós?

Recife/Olinda, Pernambuco, Brazil
Um blog aí.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Um trago

A inquietação veio buscar o tédio há tanto instalado. O efeito foi como de um tapa que traz de volta à consciência o coma, quase já perfeitamente incorporado. Mas quase!

Que ânsia boa, tão boa! A circunstância me leva inclusive a apreciar e degustar sua passagem por mim, já que, fazia muito, não a sentia. O difícil agora é somente impedir os devaneios da imaginação que a espera faz se multiplicarem, junto com o tempo do aguardo.

Não tenho a mínima idéia se corresponde ao real, mas tenho que me apressar de encontro a Platão, o limite se aproxima.

Eu só quero não deixar a consciência tomar conta, para roubar a espontaneidade do breve divino, beijar antes de tudo, abraçar um abraço todo e, gozado, fumar um ciagrro. Um que seja.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O tempo




as vezes, parece ele caminhar com os pés de um curupira
em outras, calçar as sandálias de lampião.

eis o tempo que gera e destrói,
que cura e adoece.
o tempo que voa,
o tempo que se arrasta,
o tempo que dá idas e vindas.

o tempo que passa mas nem sempre muda.
o tempo das pequenas reformas e das grandes revoluções.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Notas sobre o ateísmo

Talvez Deus, em sua onipresença bíblica, esteja mesmo em cada um de nós (ou, pelo menos, nos espaços que nos distancia). Talvez seja eu, criatura da própria criação, alguém incapaz de entender aquele que me criou.

Talvez um cadáver não seja mais que um deus arrependido.

Pensamentos avulsos de um diário inexistente

Histórias inventadas, se também acreditadas, não são menos reais, para aqueles que a tomaram por verdadeiras, do que nenhuma outra história. Relatos tornam-se fatos, e contra eles não nos é permitido ousar sequer um argumento.

Talvez sabendo que minhas palavras certamente mentem, vocês não mais me acreditem. Arrisco, porém, o conselho: nunca acreditem naquelas, ao menos não antes de reinventá-las.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Soneto da maldade

Com qualquer saudade mira-me o peito
Já ando mal de saúde, colorido
Pra ti vou sempre estar desprevenido
Sem pestanejar retira-me o jeito

Se pestanejares é um vil perigo.
E como ir a qualquer lugar que seja?
Que das tuas artimanhas me proteja,
Se somente em ti eu encontro abrigo


Peito cheio e estufado de saudade
Gritando alto passa da medida
Pois eu só faço canção descabida

Porque não cabe mais vontade
Volta, que tu longe é maldade
Vai, por favor, faz essa caridade.

Soneto da destruição

Aspirações de além-poligâmico
De cortejo não menos dinâmico
Agem quais uns supersônicos
Analisando-as com seus olhares biônicos

Temendo parecerem cínicos
Abaixo dos olhares clínicos
Dos de mente anti-higiênica
De procedência transgênica

Arquitetando a área cênica
Com uma descrição ecumênica
Pedem perdão messiânico

Eis que já tem e não precisa de pânico
Esse agir não é quiçá tirânico
É, por sinal, muito mais que orgânico.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Mais um paradoxo

Com surpresa, esconde e revela; tudo de ti, a alvirrubra tela.
Assim é teu sorriso. Assim, indeciso e preciso. Duvido! Inutilmente, já que aceito não perceber. Impossível tarefa seria, com a mente limpa e vazia, teus caminhos compreender.
Por isso, querida, eu digo, certo de que errei. Sorria, linda, sorria! E decifrando sempre estarei...